sábado, 11 de novembro de 2017

Castigo? Qual castigo?


Olhei para esta imagem e fiquei a pensar se era uma obra-prima de photoshop ou um bom trabalho fotográfico com desfocagem da perspectiva e por aí fora. O tamanho da enxada, comparado com o das mãos que lhe pegam deixava-me sem saber o que pensar. Seria o cesto muito pequeno, ou a enxada muito grande? E a figura que segurava a enxada, como poderia aparecer tão reduzida?
Uma caterva de perguntas que não teriam razão de ser se eu soubesse antecipadamente que se tratava de uma criança-escrava trabalhando para enriquecer alguém que merecia era a forca. Passou-se no sul de Angola, há dias, e a criança foi resgatada pela polícia.
Mas não era nada disto que queria trazer aqui agora, o assunto são os 11 milhões que faltam no Orçamento de Estado para a alimentação da nossa população prisional. Olhem para a minha cara de preocupado. Estão à espera de ver-me chorar de pena pela fome que vão passar? Então, podem esperar sentados.
Há um livro famoso com o título «Crime e Castigo», escrito por um russo com um nome complicado. Comecei a lê-lo, em tempos, mas desisti antes de chegar à página 100. Era muito chato, castigo demais para mim que não tinha feito mal a ninguém.
O que não é o caso dos presos que enchem as nossas penitenciárias. Eles estão lá por terem cometido um, ou vários, crimes. E se o fizeram merecem castigo. Um desses castigos pode ser a redução da ração diária que lhes é servida, tipo «regime a pão e água». Ou talvez um regime de meia pensão, com almoço e sem jantar. Outra ideia seria comprar à grande distribuição produtos com o prazo de validade a expirar, por um preço reduzido - talvez 20% do valor real -  e pôr esses produtos ao dispor dos presos, à hora de jantar, para quem estivesse com fome. A última alternativa, mas mais difícil de pôr em prática, era pôr a família a ir à porta da cadeia levar-lhes o jantar.
Posso garantir que se fossem seguidos estes procedimentos, não fariam falta nenhuma os tais 11 milhões e ainda sobraria dinheiro para melhorar a vida de alguns "velhotes" que vivem por aí ao abandono.
Uma das penas que caíu em desuso foi a de trabalhos forçados, tipo partir pedra para fazer a tão bonita «calçada portuguesa» que podemos admirar em algumas cidades. Ou fazer serviço de cantoneiro por essas estradas nacionais que estão todas ao abandono. Vem aí o tempo das chuvas (todos as esperamos com ansiedade) e é preciso limpar as valetas, podar árvores e arbustos que empecilham o trânsito e tiram a visibilidade aos condutores. Há muito que fazer.
Acho melhor o governo começar a virar as suas atenções para quem vive fora das cadeias, quem nunca cometeu nenhum crime, cumpre todos os seus deveres e sofre com a falta de coisas do mais elementar. Basta pensar que há reformados cuja pensão mal dá para pagar o aluguer de casa e a conta da farmácia. E comem o quê? Muito pior que os presos que tantas preocupações dão ao governo. E o que vestem? E como pagam os transportes?
Parem de pensar nos presos! O melhor tratamento para eles era uma ração de chicote à hora do recreio. Talvez assim se decidissem a trabalhar e ganhar honradamente aquilo que comem!
Pensem nisso muito a sério e tenham um bom fim de semana.

3 comentários:

  1. Quem trabalha e vive na miséria, para os mandões viverem no luxo sem mexerem uma palha. Se assim não fosse. A filha do ex-presidente daquele pais não teria a fortuna que segundo dizem ter. Quanto aos presos, não têm direito a reclamar seja lá pelo que for. Quem está preso é porque algum crime cometeu contra alguém da sociedade. Por isso não devia ser sustentado com o dinheiro dos contribuintes.

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  2. Eu não digo mal dos presos, porque ainda lá posso ter um lugar, quantos por lá passam muitos anos e mais tarde se descobre que foi por engano, e os desgraçados nunca fizeram mal a ninguém, nem assaltaram ninguém, como os ladrões de gravata que ninguém lhe põe a mão e andam por aí nos canais de televisão a proclamar inocência e a rirem-se da cara de quem foi roubado.
    Fico feliz por ver por aqui o nosso amigo poeta, porque assim sei que não está doente.

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  3. A pobre criança, faz parte da escravatura em que muitos vão vivendo por aquelas paragens e não só, ignorados por quem devia estar atento e despoletar combate contra exploradores que, seguramente, não fazem parte do socialismo lá do sítio, mas que proliferam/existem à escala global e sem se incomodarem com o mínimo indispensável daqueles que exploram ! Esta prática miserável não surge apenas em África, visto que ainda paira por muitas áreas geográficas deste planeta, onde crianças e adultos sofrem deste flagelo, sem esquecer algo idêntico que também vai surgindo por cá . Em relação aos presos, trata-se de um problema complexo e que não é fácil de solucionar, embora se afigure que o sistema prisional terá de levar grande volta e banir certas reivindicações que não devem ser atendidas por quem está a cumprir e " pagar " contas sobre o que fez a alguém em particular e à sociedade em geral ; logo, um castigo tem que ser considerado sem demagogias e, como tal, não apenas privando outrem da sua total liberdade, mas, sujeitando-o a outras dificuldades e contrariedades, a fim de lhe fazer sentir o mal ocasionado e não de que mero estágio se trata . Por via da minha actividade profissional, desloquei-me inúmeras vezes a cadeias/prisões e pude constatar o ambiente em que nelas se vive e, por isso, não tenho grandes dúvidas acerca do quanto é difícil controlar e disciplinar aquela população ; tanto assim, que número considerável de Guardas Prisionais têm de recorrer frequentemente a consultas de psicologia e psiquiatria, em função de desgaste profissional a que estão submetidos/sujeitos . Quando se diz, que os presos deviam ser obrigados a trabalhar, também concordo com isso, só que não é fácil arranjar tarefas suficientes a nível interno e, externamente, deparam-se enormíssimas dificuldades, designadamente, o quê e onde, suas deslocações e alimentação, bem como evitar prováveis tentativas de fuga ; isto é, se há dificuldades para os controlar internamente devido à falta de efectivos/guardas, então o que seria necessário para o assegurar a nível externo . Agora, o que me parece é que a maior parte das cadeias não estão suficientemente preparadas para excessos de lotação que se verificam e nem a respectiva legislação está devidamente adequada à realidade que importa cautelar . Portanto, acessos fáceis e susceptíveis de agravar problemas, incluindo visitas pouco recomendáveis e sem apertado controlo, têm de ser minuciosamente observados, assim como aspectos de segurança e de possível evasão, seriamente acauteladas ; pois, as prisões são espaços restritos/fechados e onde permanecem condenados que, quer se queira quer não, estão privados de liberdade e, por essa razão, muito do que reivindicam não pode ser atendível e, muito menos, sujeito/permitido/consentido publicidade especulativa que nada têm a ver com a realidade concreta . Já no que toca à alimentação e assistência médica, penso que deve algum haver cuidado, quanto ao aceitável e digno da condição humana . Um abraço .

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